Rejuvenescendo as células musculares




As células satellites são células-tronco que residem próximo às fibras musculares num estado de dormência até que se tornem necessárias. Quando a pessoa se exercita ou sofre uma lesão, essas células são estimuladas a se dividir e a se fundir tanto entre elas, quanto com os músculos ao redor, levando a um aumento da massa muscular.


Diversos aspectos da manutenção e crescimento muscular são um mistério que gradativamente tem sido solucionado nos últimos anos. Uma das incógnitas envolvidas na questão é o papel de uma proteína chamada miostatina que age inibindo o crescimento muscular. Talvez uma das melhores maneiras de se entender o papel dela seja vendo as imagens que acompanham esse post, onde a proteína foi inibida através de uma mutação.


Ainda não existem inibidores da miostatina no mercado mas já se pode imaginar a corrida que está ocorrendo em busca de compostos capazes de tal façanha e a preocupação com o impacto que isso vai ter na performance esportiva e em academias. A inibição dessa proteína parece uma promessa para doenças como a distrofia muscular mas não se sabe ainda se a miostatina age sobre as células satélite (cuja funcionalidade está prejudicada tanto em doenças musculares como no processo de envelhecimento).



Para entender melhor esse processo, cientistas criaram camundongos com células satélite defeituosas e utilizaram técnicas para bloquear a miostatina. A partir daí, uma série de experimentos constataram que as células satélites não são tão importantes assim para a ação da miostatina. Se-Jin Lee, o autor do estudo, se questiona:


“Todos perdemos massa muscular quando envelhecemos e a explicação mais popular é que isso ocorre como resultado de uma perda nas células satélites. Se você bloquear a via da miostatina você pode aumentar a massa muscular, a mobilidade e a independência da população idosa?”


Camundongo sem o gene para miostatina
(direita) comparado a um camundongo normal
(esquerda)(Crédito: Se-Jin Lee Lab)
Ironicamente, na mesma semana outro estudo foi divulgado alegando ter descoberto o motivo de idosos terem problemas com a funcionalidade das células satélites. Ao que parece, nos idosos essas células estão saindo da dormência de forma desnecessária, fazendo com que o estoque dessas células-tronco fique prejudicado quando elas realmente se fazem necessárias. Os pesquisadores foram mais além ao detectar a proteína que estava levando à ativação desnecessária das células-satélites: o FGF2.


Não se sabe ainda o motivo dessa proteína ativar as células-tronco (que seriam utilizadas para ganho de massa muscular) de forma desnecessária com o passar dos anos. Apesar disso, os cientistas conseguiram inibir o declínio muscular associado ao envelhecimento de animais ao  aplicar um inibidor dessa proteína.


Esses dois trabalhos foram importantes pois demonstraram a forma que a miostatina age e o motivo pelo qual as células-tronco musculares perdem a funcionalidade no envelhecimento. A aplicação de estudos como esses promete num futuro não muito distante acabar com o estereótipo do idoso frágil e sem força.  


Links para as pesquisas: PNAS
                                     Nature
Share on Google Plus

Sobre o Autor

Neurocientista cafeinômano envolvido com projetos que investigam a plasticidade sináptica. Nas horas vagas é abduzido por uma curiosidade extrema sobre as implicações do crescimento tecnológico exponencial que estamos vivenciando. Contato: luis.shgt@gmail.com
    Comentários
    Comente pelo Facebook