Proteína se mostrou capaz de aumentar a longevidade de camundongos



Já se sabe a muito tempo que a restrição calórica leva a um aumento drástico no tempo de vida de diversas espécies de animais (clique aqui para ler mais). Mas para ter os efeitos benéficos dessa prática é necessária uma vida de restrições alimentares tão severa que faria com que a grande maioria preferisse as coisas como estão mesmo.


Muitos grupos de pesquisa tem se debruçado sobre as vias bioquímicas ativadas na restrição calórica e diversos candidatos tem sido propostos para mimetizar seus efeitos sem que tenhamos que conviver com um vazio constante no estômago.


Felizmente um estudo recente teve sucesso nessa trajetória ao investigar um fator de crescimento chamado FGF21, demonstrando que os efeitos de longevidade da restrição calórica podem ser obtidos mesmo com os camundongos se alimentando a vontade. Segundo um dos autores, Dr Steven Kliewer, o aumento no tempo de vida dos animais foi de 30% em machos e 40% em fêmeas.


O FGF21 é um hormônio secretado pelo fígado durante o jejum que ajuda o corpo a se adaptar a fome e que parece trazer benefícios para o organismo. Segundo outro autor do estudo, Dr David Mangelsdorf:


“O envelhecimento e suas doenças relacionadas são um problema crescente na sociedade moderna. Drogas capazes de atrasar o processo de envelhecimento seriam muito oportunas. Esses achados levantam a possibilidade de uma terapia hormonal capaz de aumentar a longevidade”


Outro ponto interessante é que os camundongos modificados para produzir muito FGF21 no estudo foram magros durante a vida inteira, mesmo comendo mais que os camundongos comuns (que ganham peso com a idade).


Mas como nem tudo é perfeito lá vem os poréns... foi observado que as fêmeas no estudo eram inférteis e que a densidade óssea era menor nos animais que produziam mais FGF21. Entretanto, não foi observada nenhuma doença relacionada com essa densidade reduzida nem a ocorrência de alguma fratura mesmo nos animais com idade avançada.


“O FGF21 não está afetando sua mobilidade. Esses caras são ágeis. Eles vivem vidas longas e boas.” - afirma o Dr Kliewer.


Apesar de seu entusiasmo alguns estudos futuros serão necessários para tentar separar o efeito na longevidade da redução na densidade óssea observada. Planos para estudos em humanos? Acredito que vai ser uma longa novela ainda...  


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Sobre o Autor

Neurocientista cafeinômano envolvido com projetos que investigam a plasticidade sináptica. Nas horas vagas é abduzido por uma curiosidade extrema sobre as implicações do crescimento tecnológico exponencial que estamos vivenciando. Contato: luis.shgt@gmail.com
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