Estratégias militares contra o câncer



Uma série de trabalhos publicados nos últimos anos tem contribuido para acabar com a noção de câncer como um grupo de células descontroladas agindo aleatoriamente. O acúmulo desses dados inspirou um artigo publicado essa semana que sugere o uso de estratégias militares que ataquem o sistema de inteligência utilizado pelas células tumorais. Segundo Eshel Ben-Jacob, um dos autores:


“O cancer é um inimigo sofisticado. Existe um número crescente de evidências de que as células do câncer utilizam sistemas de comunicação avançados para trabalhar em grupo e escravizar as células normais, criando metástases, resistência as drogas e enganando o sistema imunológico do organismo.”


Quando mencionei estratégias militares não foi à toa, os autores sugerem que as pesquisas contra o câncer devem seguir a abordagem de um general e ir atrás do centro de comando do inimigo e da sua capacidade de comunicação. Ben-Jacob se empolgou com a analogia:


“É hora de declarar uma cyber guerra contra o cancer”


Ao que parece alguns tipos de câncer parecem sentir quando as drogas utilizadas no tratamento estão presentes e soam um alarme que faz com que as células tumorais entrem num estado de dormência. Sinais similares são utilizados depois para avisar que o front está seguro novamente e as tropas tumorais saem da dormência e voltam a atacar.


Dessa forma, decodificar os sinais de comunicação utilizados pelas células do câncer pode impedir que isso ocorra e fazer com que sejam pegas de surpresa. Os autores fazem também analogias com estudos sobre a vida social das bactérias e citam diversos exemplos de similaridades entre o comportamento de ambos.
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Sobre o Autor

Neurocientista cafeinômano envolvido com projetos que investigam a plasticidade sináptica. Nas horas vagas é abduzido por uma curiosidade extrema sobre as implicações do crescimento tecnológico exponencial que estamos vivenciando. Contato: luis.shgt@gmail.com
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