Poderemos nos regenerar como as salamandras?



As salamandras são anfíbios simpáticos que possuem uma capacidade regenerativa invejável podendo  substituir membros perdidos, pulmões danificados, reparar lesões na medula espinhal  e até mesmo pedaços do cérebro. Além disso, essa substituição pode ser feita quantas vezes for necessário, independente de quantas vezes ocorra uma amputação. Não por acaso diversos cientistas se debruçam sobre esses animais tentando entender por que elas podem fazer isso e nós não e, gradativamente estão montando a solução para esse quebra-cabeças.


Quando uma salamandra sofre uma amputação, surge na região danificada uma massa de células chamada blastema. Acreditava-se que as células próximas à lesão regrediam a um estado pluripotente, a partir do qual poderiam se diferenciar nos diferentes tipos celulares necessários para construir um novo membro.


Ultimamente, dados tem sugerido que na verdade essas células provavelmente regridem a um estado embrionário mas não pluripotente. Ao que parece, essas células possuem uma memória celular dos tecidos dos quais se originaram que permite que, de alguma forma, essas células saibam em que elas precisam se diferenciar para formar o novo membro.


Se o mecanismo de regeneração tecidual da salamandra realmente não depende de células pluripotentes, induzir esse fenômeno em seres humanos pode ser menos complexo do que se imaginava. De fato, embriões de mamíferos também possuem essa capacidade regenerativa mas ela desaparece antes do nascimento.


Os fibroblastos são células do tecido conjuntivo envolvidas na regeneração tanto das salamandras quanto na humana. Na região lesada da salamandra, essas células parecem ativar genes que geralmente só estão ativos no estágio embrionário, permitindo que as células possam se tornar o tipo necessário para a regeneração. Um dos alvos seria ativar os genes envolvidos nesse processo da salamandra e tentar reproduzi-lo em mamíferos.


Não por acaso o Departamento de Defesa americano cresceu o olho para cima das salamandras e doou uma grande quantia em dinheiro à equipe do professor Ken Muneoka para mapear o genoma do axolotl (uma espécie de salamandra mexicana) e comparar com os genes de um camundongo (muito similar ao humano).


Muitas questões ainda estão abertas nesse assunto e diversas equipes estão trabalhando nelas mundo afora. Otimistas como o Dr Muneoka afirmam que possivelmente estamos há apenas uma década ou duas do dia em que poderemos regenerar partes do corpo humano como as salamandras.
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Sobre o Autor

Neurocientista cafeinômano envolvido com projetos que investigam a plasticidade sináptica. Nas horas vagas é abduzido por uma curiosidade extrema sobre as implicações do crescimento tecnológico exponencial que estamos vivenciando. Contato: luis.shgt@gmail.com
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