Combinação de drogas pode ser a chave para controlar o câncer



Martin Nowak é co-autor de um artigo publicado na revista Nature recentemente que possui uma idéia curiosa sobre o futuro do tratamento do câncer. Segundo ele, em poucos anos, tumores serão altamente controláveis através de cocktails farmacológicos. É claro que ele não tirou essa previsão da cartola nem foi iluminado por uma entidade divina enquanto pescava, afinal se não houvesse um bom embasamento uma revista como a Nature não teria lhe dado atenção.


Segundo Nowak, há cem anos atrás muitas pessoas morriam de infecções bacterianas que hoje são tratadas geralmente com facilidade. O autor acredita que estamos nos aproximando de um ponto onde o mesmo está para ocorrer com o câncer. Pode até ser que a princípio não seja curável mas, pelo menos controlável.


Ultimamente estão surgindo uma série de drogas que atuam inibindo o crescimento e propagação dos tumores mas, infelizmente a efetividade dura apenas alguns meses até que o câncer adquira resistência ao tratamento.


O curioso é que Nowak não fez a comparação com  infecções bacterianas à toa. Seus dados sugerem que, entre as bilhões de células que existem no câncer, existe uma porcentagem mínima que é resistente ao tratamento. Quando a terapia começa, as células não resistentes são eliminadas. Entretanto, as poucas células resistentes se dividem de forma exponencial e repovoam o câncer só com células resistentes, levando o tratamento ao fracasso.


Dessa forma torna-se necessária uma abordagem diferenciada com o uso de pelo menos duas drogas. Na verdade estamos presenciando um deja vu uma vez que em 1995 Nowak publicou essa mesma proposta, também na revista Nature, para o uso do cocktail no tratamento do HIV.


Se ele estiver certo, deve-se levar em conta que o tratamento será específico para cada indivíduo, baseado no mapeamento genético do paciente. Se uma única mutação gênica permitir que o câncer se torne resistente a ambas as drogas o tratamento não fucionará.


Qual o próximo passo então? O desenvolvimento de diversos tipos de drogas para permitir variações de combinações que se adaptem ao perfil genético de cada indivíduo.


Algumas pessoas que discutem comigo sobre esses assuntos alegariam que o mapeamento genético não vai ser acessível para todos. Aconselho dar uma googlada e analisar a evolução do custo do sequenciamento completo do DNA de um indivíduo com o passar dos anos e fazer uma projeção seguindo o mesmo padrão para os próximos anos...


Link para o estudo: Nature

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Sobre o Autor

Neurocientista cafeinômano envolvido com projetos que investigam a plasticidade sináptica. Nas horas vagas é abduzido por uma curiosidade extrema sobre as implicações do crescimento tecnológico exponencial que estamos vivenciando. Contato: luis.shgt@gmail.com
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